O turco Zeher Gezer está preocupado com o destino dos
filhos. Recentemente, ele teve seu 19º herdeiro e o batizou de Yeter, que em
português é o equivalente a “Chega” ou “Basta”.
Gezer teme que as crianças — frutos de amor poligâmico, ou
seja, de mulheres diferentes — morram de fome.
Para o homem, está difícil sustentar os 19 filhos,
sobretudo durante a pandemia de coronavírus. Além disso, está desempregado. As
mães das crianças, Dilber e Ikramiye, admitem que a situação é difícil, mas
declaram que amam o estilo de vida.
A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, acredita que,
se houvesse mais gado no Pantanal, os incêndios que devastam o bioma, há mais
de dois meses, poderiam ser menores. Segundo ela, quando os bois comem capim
seco ou inflamável, impedem que o fogo avance. A teoria foi compartilhada em
audiência pública remota no Senado, nesta sexta-feira (9/10).
“Aconteceu um desastre porque nós tínhamos muita matéria
orgânica seca, e, talvez, se nós tivéssemos um pouco mais de gado no Pantanal,
teria sido um desastre até menor do que o que nós tivemos neste ano”, disse
Tereza Cristina. “Eu falo uma coisa que, às vezes, as pessoas criticam, mas o
boi ajuda, ele é o bombeiro do Pantanal, porque é ele que come aquela massa do
capim.”
Segundo a chefe da pasta da Agricultura, o gado come a
massa orgânica “para não deixar que ocorra o que, neste ano, nós tivemos” — o
número mais alto de incêndios no Pantanal na história. “Com a seca, a água do
subsolo também baixou em seus níveis. Essa massa virou o quê? Um material
altamente combustível, incendiário”, continuou.
Não é a primeira vez que o governo defende a teoria dos “bois
bombeiros”. Em setembro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles,
argumentou que as queimadas foram maiores este ano porque havia acúmulo de
material orgânico. “A pecuária ajuda a diminuir a matéria orgânica, porque o
gado come pasto e não deixa acumular”, disse, em live com o presidente Jair
Bolsonaro.
Até sábado (3/10), 3,9 milhões de hectares do Pantanal
tinham sido devastados pelas queimadas, de acordo com dados do Centro Nacional
de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), do Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). A área destruída representa 26% do bioma.
Desde janeiro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou
mais de 17 mil focos de calor no Pantanal, número maior do que os 10 mil focos
registrados em todo o ano de 2019.